Vida de rei
Averaldo era só preguiça. Tarde da noite, deitava na cama e sonhava com dias distantes. E acordava assim...longe de qualquer lugar.
Acorda Averaldo, você não vai trabalhar?
Mas pensar assim, não dava. Construídos os castelos mentais, pouco sobrava para a realidade.
Mas acabei de chegar do trabalho!
Longe disso, sua mãe balançava a cabeça. Preocupada.
Como assim Averaldo? Tá dormindo ainda?
Que realidade era aquela, cuja crueldade doía nos olhos. A barriga vazia, a roupa amassada, o chão batido.
Deixa mãe, hoje tô cansado de viver.
Deitado, olhos fechados, lembrou da vida que tinha lá do outro lado e gemeu baixinho. Uma imagem rapidamente se refez como lembrança vivida. Sentado à longa mesa, repleta de caprichosos regalos, contemplou seu enorme reino e seus participantes.
Que é isso Averaldo? Acorda meu rei!

