sexta-feira, 30 de maio de 2008

Uma vergonha olímpica - Pequim

Dois artigos que foram publicados no Estado de SP e que analisam cada aspecto da crise no Tibet:

O ÚLTIMO DOS TIBETANOS

Sob o aço e concreto do progresso chinês, a identidade cultural regional está sendo enterrada

Por Ian Buruma

Estariam os tibetanos fadados ao mesmo destino dos índios americanos? Será que vão ser reduzidos a nada mais do que uma atração turística, mascateando souvenirs baratos de uma cultura antes notável? Esse triste destino está parecendo cada vez mais provável, e o ano olímpico já tem sido azedado pelos esforços do governo chinês para reprimir a resistência a isso.

Os chineses têm muitas coisas a responder, mas o destino do Tibete não é apenas uma questão de opressão semicolonial. É freqüentemente esquecido o fato de que muitos tibetanos, principalmente pessoas instruídas das cidades maiores, ficaram tão ávidas em modernizar sua sociedade em meados do século 20 que encararam os comunistas chineses como aliados contra o regime dos monges sagrados e senhores de terras proprietários de servos. No início da década de 1950, o próprio jovem dalai-lama ficou impressionado com as reformas chinesas e escreveu poemas louvando o presidente Mao.

Infelizmente, em vez de reformar a sociedade e a cultura tibetana, os comunistas chineses acabaram destroçando-a. A religião foi esmagada em nome do ateísmo marxista oficial. Os mosteiros e templos foram destruídos durante a Revolução Cultural (muitas vezes com ajuda de membros da Guarda Vermelha Tibetana). Nômades foram obrigados a morar em feios assentamentos de concreto. As artes tibetanas foram congeladas na forma de emblemas folclóricos de uma "cultura minoritária" promovida oficialmente. E o dalai-lama e seu séquito foram forçados a fugir para a Índia.

Nada disso foi exclusivo do Tibete. A destruição da tradição e a arregimentação cultural forçada ocorreram por toda a China. Em alguns aspectos, os tibetanos foram tratados com menos crueldade do que a maioria dos chineses. Nem foi o desafio à singularidade tibetana típica dos comunistas. O general Chiang Kai-chek declarou em 1946 que os tibetanos eram chineses e ele certamente não teria lhes concedido a independência se seus nacionalistas tivessem ganho a guerra civil.

Se o budismo tibetano foi gravemente prejudicado, o comunismo chinês mal sobreviveu às devastações do século 20, também. Mas o desenvolvimento capitalista tem sido ainda mais devastador para a tradição tibetana. Como muitas potências imperialistas modernas, a China reivindica a legitimidade de suas políticas apontando para seus benefícios materiais. Depois de décadas de destruição e negligência, o Tibete tem se beneficiado de enormes quantias em dinheiro e energia chineses para modernizar o país. Os tibetanos não podem reclamar que foram deixados para trás na transformação da China de um desastre do Terceiro Mundo numa maravilha de desenvolvimento urbano .

Mas o preço para o Tibete tem sido mais alto que para outros lugares. A identidade regional, a diversidade cultural e as artes e costumes tradicionais foram enterrados debaixo de concreto, aço e vidro por toda a China. E todos os chineses estão tendo dificuldade em respirar o mesmo ar poluído. Mas ao menos os chineses da etnia han podem sentir-se orgulhosos do restabelecimento de sua sorte nacional. Eles podem aproveitar o ressurgimento do poder e da riqueza material da China. Em contraposição, os tibetanos só conseguem compartilhar desse sentimento na medida em que se tornarem plenamente chineses. Se não, só podem lamentar a perda da própria identidade.

Os chineses têm exportado sua versão do desenvolvimento moderno para o Tibete não apenas em termos de arquitetura e infra-estrutura, mas também de população - numa onda após a outra: comerciantes de Sichuan, prostitutas de Hunan, tecnocratas de Pequim, autoridades do partido de Xangai e lojistas de Yunnan. Hoje em dia, a maior parte da população de Lhasa não é mais composta de tibetanos. A maioria das pessoas das áreas rurais é tibetana, mas o estilo de vida delas provavelmente não sobreviverá à modernização chinesa mais do que o estilo de vida dos apaches sobreviveu nos Estados Unidos.

Uma vez que o chinês é o idioma da instrução nas escolas e universidades tibetanas, quem quiser ser mais do que camponês pobre, mendigo ou vendedor de quinquilharias precisa se adaptar às normas chinesas, isto é, tornar-se chinês. Até mesmo os intelectuais tibetanos que queiram estudar sua própria literatura clássica precisam fazê-lo na tradução chinesa. Enquanto isso, chineses e outros turistas estrangeiros vestem o traje tradicional tibetano para tirar fotos de lembrança tomadas em frente ao velho palácio do dalai-lama.

A religião é agora tolerada no Tibete, como o é no restante da China, mas sob condições rigidamente controladas. Mosteiros e templos são explorados como atrações turísticas, enquanto agentes do governo se encarregam de garantir que os monges se comportem. Como pudemos perceber em decorrência dos recentes eventos, o governo ainda não foi totalmente bem-sucedido, pois o ressentimento entre os tibetanos é muito profundo. Nas últimas semanas esse ressentimento transbordou, primeiro nos monastérios e depois nas ruas, contra os migrantes chineses da etnia han, que são tanto os agentes como os beneficiários da rápida modernização.

O dalai-lama tem repetido que não busca a independência. E certamente o governo chinês está errado quando o culpa pela violência. No entanto, enquanto o Tibete continuar fazendo parte da China, fica difícil ver como sua identidade cultural distinta possa sobreviver. As forças humanas e materiais aglutinadas contra o Tibete são esmagadoras. Há muito poucos tibetanos e chineses demais.

Fora do Tibete, porém, é uma outra história. Se os chineses são responsáveis por extinguir o antigo estilo de vida dentro do Tibete, são, também, inadvertidamente, responsáveis por o manterem vivo fora do Tibete. Ao imporem o exílio ao dalai-lama, garantiram o estabelecimento de uma diáspora tibetana, que pode muito bem sobreviver numa forma mais tradicional do que seria provável mesmo num Tibete independente. Diásporas vicejam nos sonhos nostálgicos do retorno. As tradições são ciumentamente preservadas, como bens preciosos, para serem passadas de geração em geração enquanto esses sonhos persistirem.

E quem pode dizer que esses sonhos nunca se concretizarão? Os judeus conseguiram agarrar-se aos seus por quase 2 mil anos.


CUIDADO: NÃO APERTE DEMAIS

A causa do Tibete é forte. Misturar outras queixas pode ser perigoso

Por Philip Bowring

Os tibetanos têm uma causa forte contra Pequim. Mas misturá-la com a Olimpíada e Darfur é o mesmo que agitar um pano vermelho diante de um touro jovem ferido. Muitas vezes, o nacionalismo é incitado mais por reveses que por sucessos, de modo que os problemas do Tibete e as possíveis ameaças a uma Olimpíada triunfal estão colaborando para essa incitação. No horizonte existe a possibilidade de que esses fatores se combinem com inflação alta, estagnação das exportações e tensões comercias com os Estados Unidos para criar uma tempestade nacionalista perfeita.

Os líderes chineses têm pela frente um difícil ato de equilibrismo. Como sua legitimidade se baseia hoje nas conquistas nacionais e não na ideologia comunista, eles devem se mostrar afinados com o sentimento popular. Mas estabilidade em casa e boas relações no exterior requerem manter sob controle as emoções nacionalistas. A paranóia a respeito de intenções estrangeiras malévolas, que prosperou no tempo de Mao Tsé-tung e foi afastada por Deng Xiaoping, ainda está à flor da pele.

Quase toda a China se sente ofendida pelo fato de estrangeiros se mostrarem tão ávidos em censurá-la e encorajar os pequenos boicotes que poderiam estragar a festa olímpica. Os chineses legitimamente se enfurecem por serem acusados pelo que ocorre em Darfur enquanto seus críticos ocidentais ocupam o Iraque. Pequim permite alegremente que esses ressentimentos nacionalistas circulem na linguagem às vezes violenta de blogs e salas de bate-papo da internet.

O ódio, por sua vez, facilita ao governo atribuir os problemas tibetanos a estrangeiros e exilados tibetanos chefiados pelo dalai-lama para prender defensores de direitos humanos e reprimir a mídia estrangeira. Pequim joga com a ameaça estrangeira como o governo americano usou a ameaça da Al-Qaeda para justificar a invasão d o Iraque. Assim, foi levantado, por exemplo, o espectro de esquadrões da morte tibetanos organizados pela "claque do dalai-lama" para atacar os Jogos Olímpicos.

A possibilidade de ameaças como essa não pode ser ignorada. Mas um governo mais calmo fortaleceria discretamente as defesas em vez de elevar a temperatura e suscitar temores de que ataques terroristas poderiam ser encenados para desacreditar os tibetanos. Pressionadas, as autoridades recuaram para o linguajar e as mentiras da Revolução Cultural. O secretário do Partido Comunista no Tibete descreveu o dalai-lama como um "monstro com face humana".

Menos dramaticamente, o primeiro-ministro Wen Jia-bao disse que o canal de diálogo com o dalai-lama estava aberto desde que ele "abandonasse as pretensões à independência do Tibete" e usasse sua influência para "pôr um fim à violência no Tibete". Na verdade, há muito tempo o dalai-lama aceitou o princípio de autonomia dentro da China, contanto que fosse uma autonomia verdadeira. E ele está em conflito com muitos tibetanos que se opõem a sua defesa de meios pacíficos.

É igualmente importante a maneira como a mídia oficial chinesa tem descrito a violência no Tibete como ataques aos chineses han. Isso, como era previsível, provoca uma irritação na etnia han, que constitui 90% da população da China e tende a ver o Tibete como uma região estagnada que os hans melhoraram com seu ímpeto modernizador.

A etnia han não vê razão para os tibetanos estarem descontentes com sua migração e domínio comercial, e se ressente de que os tibetanos não se sintam gratos pelo dinheiro despejado pelo governo na região. "O Partido Comunista é como um pai do povo tibetano e está sempre atento às necessidades dos filhos", declarou o secretário do partido no Tibete. O partido, disse ele, é o "verdadeiro Buda" para os tibetanos.
Esse aspecto racial/cultural não só dificulta para a China resolver questões de minorias como põe a questão da identidade han num contexto mais amplo, internacional.

Mitologia racial e identidade cultural se acirram tanto com vizinhos imediatos "bárbaros" - sejam eles japoneses, mongóis ou russos - como com os ocidentais que por muito tempo dominaram o Império do Meio. Como os chineses reagirão se a Olimpíada realmente ficar mais marcada por manifestações e boicotes de estrangeiros inspirados por tibetanos do que pelas conquistas de atletas e organizadores da China? E contra quem o ódio popular se dirigirá então?

Se a festa for estragada, seja pelo Tibete ou pela poluição do ar, a necessidade de bodes expiatórios de alto escalão poderá se tornar irresistível. Pior ainda se isso coincidir com um agravamento de tensões comerciais com os Estados Unidos que poderiam surgir com a entrada da economia americana em recessão. Se os chineses vierem a perceber que os benefícios da globalização chegaram ao ponto máximo, os líderes não poderão recuar de 30 anos de engajamento "denguista"?

Nada disso precisa acontecer. Mas orgulho étnico e ambições frustradas são forças poderosas. Vale lembrar que pressões econômicas estrangeiras, fervor patriótico e poder militar crescente transformaram um dia o Japão liberal num Japão expansionista, militarista e hipernacionalista nos anos 1930. Os tibetanos têm uma causa forte contra Pequim. Mas misturá-la com a Olimpíada ou Darfur é agitar um pano vermelho diante de um touro jovem ferido.


Referência: A realidade de uma aldeia tibetana

Achei muito bom de ler...bem explicado!

2012: O ano em que perderemos contato
:: Acid ::

Entre o final de agosto e os primeiros dias de setembro de 1859, grandes auroras boreais puderam ser vistas no céu de vários pontos do planeta. O belo espetáculo de luzes esverdeadas foi documentado nos EUA, em partes da Europa, Japão, Austrália e até mesmo no México (!). E o telégrafo deixou de funcionar em vários desses lugares. Não se sabia o que era, mas descobriram logo: era uma imensa tempestade solar - a maior já documentada. Foi quando se descobriu que elas podem ser belíssimas, mas comprometem os sistemas elétricos.

Em março de 1989, uma tempestade solar intensa afetou os canadenses da região de Quebec. A rede elétrica foi a pico e entrou em colapso. O blecaute durou nove horas e deixou sem energia mais de 6 milhões de pessoas. Na Bolsa de Valores de Toronto, quatro discos rígidos de computador pararam de funcionar um após o outro. O pregão congelou - nem o backup continuava de pé - enquanto a equipe de suporte técnico tentava em vão localizar o causador do mistério. Mais de 6 mil satélites saíram de suas órbitas.

O fato é que várias tentativas de prever com exatidão as tempestades solares falharam. Mas há um indício inegável: as manchas solares desaparecem da superfície do Sol alguns anos antes do acontecimento: é a tal calmaria antes da tempestade. E isso aconteceu em 2006. Mausumi Dikpati, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (NCAR), prevê uma tempestade ainda maior do que a de 1989 (só perderá pra de 1859). E a data, segundo ele, é 2012.

EFEITOS

O primeiro equipamento a ser afetado será o sistema de GPS. Atravessar o Oceano Atlântico de veleiro, nessa época, não será uma boa idéia. Principalmente no hemisfério norte, é bem possível que a rede elétrica pare de funcionar aqui e ali. Esta será a primeira tempestade solar intensa que viveremos em plena era da Internet, das redes sem fio WiFi, do GPS de uso vasto. Somos totalmente eletrônicos, digitais. Mas, diferentemente da tecnologia do século 15, a do século 21 é susceptível aos humores da estrela mais próxima. HDs vão deixar de funcionar de uma hora para a outra sem que seus donos compreendam o motivo.

A tempestade começa na superfície do Sol, com um vento solar. É um vento rápido, forte, carregado de prótons e elétrons que são lançados no espaço. A carga afeta os vários planetas do Sistema Solar de forma diferente. O campo eletromagnético da Terra nos protege na maioria das vezes da radiação - mas, nos picos da tempestade, não há jeito que nos salve. Ela vem.

O primeiro resultado é o aquecimento da atmosfera. O ar esquenta, a atmosfera se dilata e abocanha um naco que antes pertencia ao espaço. O resultado prático é que satélites de órbita baixa, repentinamente, não estão mais em órbita e sim na atmosfera. Se bobear, alguns caem.

A radiação de prótons e íons que entram no planeta afeta os microchips. Eles param de funcionar. Sim, existem chips resistentes a este tipo de radiação - fundamentais para satélites ou naves espaciais. Mas aqueles encontrados dentro de nossos computadores não são assim.

Outra conseqüência da tempestade solar é que ela induz corrente - sim, surge energia elétrica do nada. Em Quebec, o que ocorreu foi isso. Ao encontrar as linhas elétricas, os elétrons se concentraram ali. Deu sobrecarga, o sistema parou. Naquela primeira vez em que uma tempestade assim foi documentada, em 1859, enquanto vários telégrafos paravam de funcionar, ao menos dois operadores descobriram, estupefatos, que podiam continuar sua conversa normalmente mesmo após desligarem suas baterias. A linha estava eletrificada.

Ha uma saída, claro: fazer suas casas como uma Gaiola de Faraday (pondo fios do telhado até o chão, enterrando-se metros abaixo da superfície). Serve para desviar a eletricidade estática e proteger seu interior. Não custa dizer que a idéia é simples, eficiente, mas é bom contratar um engenheiro para desenhá-la.

O SOL, ESTE DESCONHECIDO

Em setembro de 1994 foram detectadas fortes perturbações no campo magnético terrestre, com alterações importantes como a orientação migratória das aves e cetáceos e inclusive o funcionamento da aviação.

Em 1996, a sonda espacial Soho descobre que o Sol não apresenta vários, mas somente um campo magnético homogeneizado. Em 1997 aconteceram violentas tempestades magnéticas no Sol e em 1998 a NASA detectou a emissão de um potente fluxo de energia vindo do centro da galáxia; onda que ninguém soube explicar.

No dia 15 de agosto de 1999 aconteceu uma misteriosa explosão vindo do espaço e por causa disso algumas estrelas ficaram em eclipse durante horas. As radiações das ondas de radio, raios gama e raios X multiplicaram sua intensidade em 120%. Os astrônomos Richard Berendzen e Bob Hjellming, do Observatório Radio-astronômico do Novo México (EUA), qualificaram esse fenômeno como um enigma "digno de uma investigação minuciosa".

No dia 20 de janeiro de 2005, uma surpreendente tempestade solar alcançou a Terra com sua máxima radiação 15 minutos após as explosões. Normalmente, demorariam 2 horas para chegar aqui. Segundo Richard Mewaldt, do Califórnia Institute of Technology, foi a mais violenta e mais misteriosa dos últimos 50 anos.

Os cientistas acreditavam que as tempestades se formavam na coroa solar pelas ondas de choque associadas a erupções do plasma. Entretanto, neste caso parece ter-se originado estranhamente no interior do astro-Rei, segundo afirmou o professor Robert Lin, da Universidade da Califórnia.

Os astrônomos ficaram perplexos. O professor Lin – principal pesquisador do satélite Reuven Ramaty High Energy Solar Spectroscopic Imager (RHESSI) – expressou sua conclusão com uma frase muito simples: "Isso significa que realmente não sabemos como o Sol funciona".

Resumindo: O inusitado fenômeno de 20 de janeiro de 2005 acabou com os modelos de estudos da nossa ciência sobre o assunto.

E porque o Sol produziu uma atividade tão intensa e anômala neste momento? O pico máximo de atividade da nossa estrela - no seu ciclo principal de 11 anos - aconteceu no ano 2000. Em 2004 os físicos solares observaram uma ausência total das manchas, onde isso sempre anuncia a proximidade de alguma atividade no Sol. Essa atividade mínima só deveria ocorrer em 2006 (como ocorreu), alguns anos antes da máxima, prevista para 2010 ou 2012.

CALENDÁRIO MAIA

2012 ressurgiu com força total nas fofocas esotéricas por conta do fim do calendário Maia se dar exatamente neste ano. Coincidência? Talvez, mas o calendário deles (cuja origem se perdeu, mas que provavelmente remonta aos Olmecas) é bem resolvido, fechadinho, em Eras (que equivalem a 13 Baktuns). Segundo suas tradições, ao final de cada Era o mundo é destruído e recriado. A recriação do mundo na nossa Era atual se deu em 3114 a.C. e termina numa sexta, 21 de dezembro de 2012. Essa data, ao contrário da piada que diz que eles simplesmente se cansaram de escrever, não foi escolhida à toa. Nesse dia se dará um alinhamento astronômico muito raro, onde o Sol, no Solstício de inverno, que ocorrerá exatamente às 11:11 do horário universal (UTC), estará alinhado com o centro da nossa galáxia na Via Láctea. Isto marcará o final da Era correspondente ao "Quinto Sol" e o começo de outro ciclo cósmico, chamado "Sexto Sol".

Segundo as profecias Maias, a causa física desse término é que o Sol receberia um raio oriundo do centro da galáxia e emitiria una imensa "chama radioativa" que transmitiria a radiação à Terra e, conseqüentemente, a todo o sistema solar. Este evento acontece antes do começo de um novo ciclo cósmico. De acordo com eles, já ocorreram cinco ciclos de 5125 anos, completando uma série de 25.625 anos, período muito próximo ao da "precessão dos equinócios", conhecido como "Ano Platônico" ou "Grande ano Egípcio", correspondente a um ciclo completo formado por 12 eras astrológicas (25.920 anos). Cada ciclo finaliza o prazo de uma humanidade (raça) na Terra – primeiro a destruição, seguida pela regeneração que traz o ciclo seguinte, o "Sol". No começo são feitas sincronizações da "respiração" de todas as estrelas, planetas e seres.

No dia 11 de agosto de 3113 a.C. os Maias fixaram o nascimento do "Quinto Sol" – A era atual – cujo final será em 2012. A era da água acabou com o dilúvio, a seguinte foi com uma chuva de fogo e a nossa - chamada de "Era do Movimento" - chegará ao fim com violentos terremotos, erupções vulcânicas e furacões devastadores. A mitologia de várias culturas antigas fala de inundações catastróficas que aconteceram há uns 12.000 anos e de misteriosas chuvas de fogo, há cerca de 5000 anos, sendo que pesquisadores como Maurice Cotterell a associam a um grande cometa que cruzou a atmosfera terrestre.

A profecia Maia também descreve os 20 anos anteriores ao primeiro dia do "Sexto Sol" com certo detalhe. Este ciclo menor, denominado Katum, já chegou a quase dois terços da sua duração total. Ele nos permite verificar até que ponto da atualidade foram cumpridas suas profecias e conseqüentemente, decidirmos se seus acertos merecem suficiente credibilidade. O último Katum – denominado por eles "o tempo do não tempo" - teve início no ano de 1992 do nosso calendário, logo após a um eclipse do Sol que eles profetizaram para o dia 11 de julho de 1991 (e que aconteceu realmente). Segundo o Chilam Balam (livro sagrado Maia) após sete anos do início do último Katum (1999) começa uma era de escuridão e os desastres na terra (terremotos, furações e erupções vulcânicas) aumentariam consideravelmente.

O eclipse de 11 de agosto de 1999 de fato inaugurou um período de cataclismos naturais: No dia 7 desse mesmo mês houve um terremoto de 5.9° (escala Richer) na Grécia, com 218 mortos. Dia 8, inundações catastróficas na China com milhares de mortos. Dia 17, um terremoto de 7.4º na Turquia com 15.000 mortos. Dia 20, um terremoto de 7.6º em Taiwan, com 2.000 mortos. Dia 22, uma cadeia de terremotos entre 2º e 5.2º em todo o planeta. Um terremoto em Oaxaca (México), seguido de grandes incêndios devido a explosões de gás com mais de 100 mortos, e dia 10 de outubro as chuvas produziram 300 mortos e 500.000 afetados também no México.

Não se trata de uma lista exaustiva de catástrofes, são somente alguns fenômenos que aconteceram nos dois meses posteriores ao eclipse de agosto.

As profecias Maias também falam da aparição de um cometa com alta probabilidade de impacto com a terra.

History Channel - Profecias Maias (Parte 1 de 5)

Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5

Talvez os Maias tenham se enganado e não seja preciso muitas dores para o parto de uma nova civilização (ou nova mentalidade). Talvez não tenhamos mais catástrofes do que o normal pra um povo que destrói seu próprio ecossistema em nome de um "desenvolvimento" (também conhecido como "muito dinheiro para poucos"). Ainda assim, num mundo onde cada vez mais nossas relações são virtuais e dependentes de aparelhinhos eletrônicos (eu quero meu Iphone!) teremos de nos deparar com o perigo REAL de "tudo" parar em 2012.

Fontes: Pedro Dória - 2012: o ano em que tudo pode parar;
CUB Brasil: A ciência confirma a profecia Maia;
NASA: Solar storm warning;
Ciclos Maias

Leia também: A era dos espelhos;
A geração atual;
Resgates coletivos;
Mudanças climáticas (parte 2)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Biosofia

A Ordem e a Inteligência do Cosmos - A Perspectiva Esotérica

A busca da verdade rigorosa sobre uma ordem, expressa em Leis, presente nos diferentes fenómenos da Natureza, é o desígnio de todos os cientistas. Para qualquer Ciência - seja a Ciência das Ciências (o Ocultismo), seja a Ciência Oficial (sem sentido depreciativo), ainda confinada aos mundos mais densos, seja qualquer um dos seus ramos em particular -, a existência de uma tal ordem, que implica inteligência, constitui uma base fundamental. É o pressuposto ou, pelo menos, a esperança da sua existência que impulsiona e confere dignidade a qualquer pesquisa científica.

De que lado está a ordem?
A propósito dessa ordem, o esoterista coloca importantíssimas questões à Ciência Oficial, nomeadamente a todos aqueles que trabalham nos domínios da Física, da Cosmologia e da Biologia.
Sem entrarmos em profundas abordagens epistemológicas - aliás, extremamente interessantes -, lembremos a oposição entre dois pontos de vista principais:
Essa ordem pode existir como algo de objectivo, (também) do lado de lá da nossa percepção e interpretação, podendo ser descodificada pela inteligência humana de modo também objectivo, ao menos em grande medida;
Essa ordem não existe objectivamente, e representa apenas uma ficção, uma forma da nossa inteligência - que tende a ser ordenadora e a pressupor nexo, coerência, relação causa-efeito - interpretar factos que, em si mesmos, são caóticos, desordenados, independentes de quaisquer leis. Por outras palavras, a ordem só existe do lado de cá, subjectivamente.

Em termos de Teoria do Conhecimento, esta última hipótese foi defendida por vários filósofos ao longo dos séculos. Abstemo-nos agora de comentários valorativos; veremos, mais adiante, qual a posição da Filosofia Esotérica. Neste momento, basta dizer que, levando essa hipótese ao limite, a Ciência, como procura da Verdade em si mesma, seria uma quimera, um esforço condenado ao fracasso, uma causa inelutavelmente perdida (o que, decerto, significaria uma desilusão e um desgosto para toda a comunidade científica). Ficaria, quando muito, confinada a um passatempo intelectual (assim como uma charada que se esgota em si mesma) e/ou a um utilitarismo tecno-lógico, visto que permite produzir máquinas, instrumentos, construções. Então, reduzida a Ciência a essa expressão tão limitada, drasticamente diminuída na sua dignidade e inibida de atingir o seu propósito inicial, o melhor seria quedarmo-nos por aqui em considerações.

Admitamos a outra hipótese. Continuando a simplificar, ela sustenta a validade do Conhecimento, da Ciência, como compreensão susceptível de ser real, verdadeira e fidedigna de uma objectividade em que há ordem, leis, inteligência.

Quem ou o Quê dispõe uma ordem inteligente?
Fixemos este ponto. A ordem implica inteligência. As leis, que a ciência se esforça por desvelar e formular de modo compreensivo, implicam inteligência. Ora bem, onde há inteligência, tem que haver algo ou alguém que seja inteligente; onde há ordem, tem de haver algo ou alguém que disponha, garanta e mantenha a ordem. Se essa ordem inteligente existe no Cosmos (também) do lado de lá da nossa subjectividade, então, quem ou o quê a detém, sustenta, É? Qual a realidade ontológica desse Algo ou Alguém - seja singular ou plural - que é inteligente, extraordinariamente inteligente a ponto de dar ordem a um Cosmos tão imenso e prodigioso?

As teologias simplistas dão como resposta: é Deus, o
Ser Perfeito, Absoluto, Omnipotente e Omnisciente. Entretanto, se a Natureza revela ordem e inteligência, é igualmente verdade ela não é perfeita, nem absoluta: há tentativas, há falhanços, há imperfeições. O Cosmos, maravilhoso mas imperfeito, não pode, pois, ter sido obra directa de um Ser Absoluto, Omnipotente, Omnisciente.

O materialismo científico (assim chamado), ou certo tipo de agnosticismo, afirma: é a Natureza ou a Matéria como um todo que é inteligente. Esta resposta, aflorando (tal como a anterior) uma verdade profunda, é, contudo, insuficiente. É uma sustentação vaga, que conduz a uma abstracção de fuga à realidade ontológica (mais ainda quando, decompondo cada vez mais aquela que outrora julgou ser a unidade última da matéria - e, ao fazê-lo, voltando a comprovar a correcção das teses da “Doutrina Secreta”, de H.P.Blavatsky, onde antecipadamente se sustentava a infinita divisibilidade do átomo -, se depara com inúmeras partículas com vontade e inteligências próprias)… Na Natureza ou na Matéria, vemos tantas Inteligências, ordens e forças paralelas, relativamente autónomas e com domínios circunscritos - mas tantas vezes cruzando-se e chocando-se -, que uma tal afirmação é redutora e simplista, passando por cima da questão: Quem ou o Quê opera na Matéria, na Natureza, no Universo, conferindo-lhe ordem, inteligência, relações fenoménicas que podemos compreender como Leis? Quem ou o Quê é o(s) sujeito(s) ou agentes legisladores?

Sobre estas questões, a Ciência e a Filosofia exotéricas (o oposto de esotéricas) estão longe de dar a última palavra - na verdade, mal ainda balbuciaram a primeira. Entretanto, manda a Verdade que se diga que esta é uma interrogação vital e insofismável.

Vejamos, então, qual é a resposta do Esoterismo.
Quanto às relações sujeito-objecto, nada melhor do que citar a obra magistral de Helena Blavatsky: “Tudo o que é, emana do Absoluto, que, por força mesmo desta qualidade, é a única Realidade; e, assim, tudo aquilo que é estranho ao Absoluto, a esse Elemento causativo e gerador, deve ser uma ilusão, sem nenhuma sombra de dúvida. Isto, porém, do ponto de vista exclusivamente metafísico. (…) A impressão experimentada em qualquer dos Planos é uma realidade para o ser que a experimenta e cuja consciência pertença ao mesmo Plano”. Noutra passagem, escreveu HPB: “Nada é permanente, a não ser a Existência Una, absoluta e oculta, que contém em si mesma os númenos de todas as realidades (…) No entanto, todas as coisas são relativamente reais, porque o conhecedor é também um reflexo, e por isso as coisas conhecidas lhe parecem tão reais quanto ele próprio. (…) Seja qual for o Plano em que possa estar a actuar a nossa consciência, tanto nós como as coisas pertencentes ao mesmo Plano somos as únicas realidades do momento.”(1)

Por outras palavras: sendo que o Imanifestado ou Absoluto é a verdadeira Realidade, porque incondicionada e além de toda a ilusão (que é impossível aí, por inexistir diferenciação entre sujeito ou conhecedor, e objecto ou cognoscível), no domínio da Manifestação (onde há objectos que podem ser conhecidos por sujeitos e que é, portanto, o campo da Ciência), existe uma harmonia e consubstancialidade entre os objectos de um Plano ou Mundo em particular e a Consciência de um sujeito cuja percepção está focalizada nesse Mundo. E, assim, há uma correspondência entre o tipo de ordem e de inteligência manifestada objectivamente nesse Mundo ou Plano e o molde de inteligência e de sentido de ordem do sujeito que a pretende conhecer. Consequentemente, o esforço da Ciência e do Conhecimento é válido, porque a ordem existe em ambos os lados (objectivo e subjectivo); ainda que todo o Universo manifestado, do ponto de vista puramente espiritual seja ilusório, o esforço de conhecimento é a via pela qual, subindo de Plano em Plano nas correspondências subjectivo-objectivo, nos podemos sucessivamente elevar da estagnação própria da ignorância e da inércia.

Deixamos, num parêntesis, duas notas: alguns reconhecerão aqui fios de conexão com a Filosofia Sânkhya e com a Monadologia de Leibnitz, o grande filósofo e cientista alemão dos Sécs. XVII-XVIII. Por outro lado, julgamos que, desta forma, fica desvanecida a anedota do oriental que, considerando este mundo como Maya, despertaria desse (suposto) delírio ao embater com a cabeça numa parede.

Esclarecido, embora em traços muitíssimos gerais, o tema da validade do Conhecimento Científico, sob o prisma da Filosofia Esotérica, vejamos agora o que a Ciência Oculta tem a dizer acerca do substrato ontológico das leis, da inteligência e da ordem manifesta no Cosmos.

O Ocultista afirma a evidência do Ser Absoluto, cuja realidade necessariamente admite, por ser insustentável um niilismo radical; porém, declara honestamente que, qualquer Entidade existente num Universo relativo e dual, nada pode dizer directamente sobre a Realidade Absoluta, Una e Imanifestada, excepto que É e, ao Ser, permite que todas as coisas, mundos e fenómenos possam existir. O Absoluto está além de toda a compreensão relativa, por mais excelsa que seja.
Acrescentamos ainda, citando um excerto do livro “Cartas de Luxor”, do CLUC: “O Divino é a grande e única realidade do Cosmos; não obstante, a Eterna Sabedoria jamais pode aceitar como sendo rigorosa a concepção das religiões populares e desvirtuadas sobre um único Acto Criador, pelo qual um Pai Absoluto teria instantaneamente criado o Universo. Sustenta, sim, que o Deus Uno, a Essência Pura do Universo é a Causa Primordial que, depois, se desdobra numa infinidade de potências ou causas criadoras - tão vastas em número quanto as Consciências que se diferenciam no seio do Ser–Consciência da Unidade Divina -, todas elas concorrendo para a construção (ou, no final, a dissolução) e evolução de todas as formas, de todos os mundos, de todas as esferas de Ser.” 2

Por outras palavras: temos a primordial energia una, sobre a qual trabalha o Pensamento Divino. Este, contudo, para não ser uma simples abstracção além do espaço e do tempo, é integrado e dotado de substância-energia actuante pelas legiões de deuses, Hierarquias Criadoras ou Dhyani-Chohans (conhecidos como Serafins, Tronos, Arcanjos, etc, nas tradições espirituais do Ocidente) isto é, de “seres inteligentes que ajustam e controlam a evolução, encarnando em si mesmos aquelas manifestações da Lei Una que conhecemos como “Leis da Natureza”(1) e “colaborando na construção, sustentação e direcção de todo o Universo objectivo, de cada uma das suas formas, de cada um dos seus átomos.”(3)

Se bem que possamos expressar uma Lei da Natureza através de uma fórmula matemática, tal não explica o que a torna viva e actuante. Uma fórmula, por si, não gera sequências ordenadas - inteligentes - de fenómenos, não gera formas ordenadas - inteligentes - se não tiver vida, ser, energia.

Esses Seres, essas Hierarquias Criadoras ou Dhyani Chohans (4), são, pois os meios, através dos quais se transmite o Pensamento Divino, o grande Propósito Inteligente do Universo - Universo de que são os verdadeiros arquitectos, construtores e dinamizadores. São eles as (invisíveis) forças vivas actuantes em toda a substância, são eles o ser e o dinamismo das leis universais. Não são eles perfeitos ou absolutos e, assim, tão pouco o é o Cosmos manifestado. Se o qualificativo de deuses lhes pode ser geralmente aplicado, tal se deve ao facto de serem invisíveis e, nas suas classes mais elevadas, sapientíssimos, brilhantes, luminosos (5).

Entretanto, de um ponto de vista mais científico, são eles as forças inteligentes (ou semi-inteligentes) e ordenadoras e directoras da Natureza.

Entre as Hierarquias mais elevadas, temos grandes arquitectos e construtores de Universos; nos degraus inferiores de uma escada imensa, temos as pequenas vidas elementais - representadas nos folclores de todos os povos6 - que, por exemplo, constituem a (embora diminuta) vontade e inteligência das partículas atómicas, de cujos agregados se compõem as formas do Universo visível.

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

1 In “A Doutrina Secreta, Vol I” (Ed. Pensamento, S.Paulo)

2 Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2000

3 José Manuel Anacleto, “Noções Básicas da Cosmogénese”, in “Portugal Teosófico o 79″, Ed. STP, Lisboa, 2000

4 Literalmente, em sânscrito, “Os Senhores da Luz”.

5 Os Devas do Hinduísmo são, justamente, os “seres brilhantes” ou “luminosos”.

6 Que justificam um estudo mais rigoroso do que a mera curiosidade complacente. Povos antigos, intelectualmente mais infantis, ainda na curva descendente para a materialidade, tinham algum acesso a mundos mais subtis, expressando-o de um modo simbólico, colorido e fantasiado, que é necessário saber descodificar e entender no seu contexto.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Onde você está hoje?

Onde estava você
quando as grandes baleias
gritavam por misericórdia
e os peixes desapareciam
de nossos rios e correntes envenenadas?...


Você escreveu uma carta?...
Cantou uma canção?...
Ou limitou-se a ficar calado,
dizendo a si mesmo
que sua carta não seria lida
e sua canção não seria ouvida?...


Onde estava você
quando a Terra começou a morrer?...

Robert A. Brewer

terça-feira, 27 de maio de 2008

Meu Anjo...

Na meditação deixamos
os fogos da mácula
pelo frescor do samadhi claro.
E isto é como a alegria
de cair na água fresca e clara
depois de se queimar no calor do sol.
— do Grande Tratado sobre a Perfeição da Sabedoria

Obrigada Meu Anjo...

Desembaraçar a si mesmo
do desejo e dos caminhos maus
requer tanto visão quanto sabedoria.
Desembaraçar a si mesmo do mundo
e descobrir a alegria interior
é o começo da meditação.
— do Grande Tratado sobre a Perfeição da Sabedoria

sexta-feira, 23 de maio de 2008

só pra recordar...

Manuscrito d´A Doutrina Secreta de Helena Blavastky.
Theosophical Society Pasadena
«“O conhecimento - cujo primeiro índice é a faculdade de compreender a verdade, de discernir o real do que é falso - destina-se somente aos que, libertando-se de todo o preconceito, e superando o seu autocentramento e egoísmo, estão dispostos a aceitar todas as verdades, quando lhes sejam demonstradas. O seu número é muito reduzido. A maioria julga uma obra segundo as ideias preconcebidas dos críticos, que, por sua vez, se deixam guiar mais pela popularidade ou impopularidade do autor do que pelos seus erros ou méritos. (…) Nos nossos dias, nenhuma exposição pode ter esperança de um julgamento imparcial, ou mesmo de ser ouvida, se os seus argumentos não trazem a marca registrada de uma legitimidade que obedeça aos estritos cânones da ciência oficial e da teologia ortodoxa.
A nossa época caracteriza-se por uma anomalia paradoxal. É eminentemente materialista e, contudo, eminentemente pietista. A nossa literatura e o assim chamado pensamento progressista moderno seguem por essas duas linhas paralelas, tão flagrantemente díspares, mas populares ambas, e tão essencialmente ortodoxas, cada qual no seu próprio estilo.
Quem quiser enveredar por um terceiro caminho que seja como que um traço de união entre os outros dois, deve estar preparado para enfrentar os piores percalços. A sua obra será mutilada pelos críticos e coberta de ridículo (…)
Será citada em falso pelos seus adversários, e até excluída das piedosas salas de leitura (…) As suas doutrinas serão sistematicamente repudiadas, negando-se a elas um lugar até mesmo entre as teorias efémeras da ciência, entre as hipóteses forjadas e sempre cambiantes do nosso tempo”. In “A Doutrina Secreta, Vol. V” (Ed. Pensamento, S. Paulo, 1973) e “H.P. Blavatsky Collected Writings”, Vol. XIV” (Theosophical Publishing House, 1985).