segunda-feira, 23 de junho de 2008

Salvação para todos!

Conta-se que certa vez Martinho Lutero sonhara.
Em seu sonho, achava-se nos umbrais dos tabernáculos eternos. Interrogou então, sofregamente, o anjo ali de guarda:

- Estão aí os protestantes?
- Não, aqui não se encontra um protestante, sequer.
- Que me dizes?! Os protestantes não alcançaram a salvação mediante o sangue de Cristo?!
- Já lhe disse e repito: não há aqui protestantes.
- Então - tornou, espantado, o sistematizador da Reforma - será que aqui estejam os católicos-romanos, os membros daquela Igreja que abjurei?
- Tampouco conhecemos aqui os filhos dessa Igreja; não existem aqui romanos.
- Estarão, quem sabe, os partidários de Maomé ou de Buda?
- Não estão, nem uns nem outros.

Intrigado, insistiu Lutero:
- Dar-se-á, acaso, que o Céu se encontre desabitado?!
- Tal não acontece - tornou serenamente o anjo - Incontáveis são os habitantes da casa do Pai, ocupando todas as suas múltiplas moradas.
- Dize-me, então, depressa: quem são os que se salvam, e a que igreja pertencem na Terra?
- A todas e a nenhuma - aclarou por fim o guardião da entrada das Celestes Moradas. - Aqui não se cogita de denominações, nem de dogmas. Os que se salvam são os que visitam as viúvas e os órfãos em suas aflições, guardando-se isentos da corrupção do século. Os que se salvam são os que procuram aperfeiçoar-se, corrigindo-se dos seus defeitos, renascendo todos os dias para uma vida melhor. Os que se redimem são os que amam o próximo e renunciam ao mundo, com suas fascinações. São os que porfiam, transitando pelo caminho estreito, juncado de espinhos: o caminho do dever. Os que se purificam são os que obedecem à voz da consciência, e não aos reclamos do interesse. Os que conquistam a Divina Graça são os que trabalham pela causa da Justiça e da Verdade, que é a Causa Universal e não pelo engrandecimento de causas regionais, de determinadas agremiações com títulos e rótulos religiosos; os que aspiram à glória de Deus, ao bem comum, a felicidade coletiva. Os que se salvam...
- Basta! - atalhou Lutero. Já compreendo tudo: preciso voltar a Terra e introduzir certa reforma na Reforma.

Fonte: Nas Pegadas do Mestre - edição FEB

sábado, 21 de junho de 2008

Por que sofremos?

☆ Viver Não Dói ☆
(Carlos Drummond de Andrade)

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade..

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Os Sete Princípios

I – O princípio de Mentalismo

“O TODO é MENTE; o Universo é Mental”

O TODO é Espírito, Incognoscível e Indefinível em si mesmo, mas pode ser considerado como uma Mente Vivente Infinita Universal.
o Universo é Mental e nós existimos na Mente do Todo, como tais, nós somos seres mentais e criamos com a nossa mente, à imagem e semelhança do Todo.


II – O princípio de Correspondência


¨É verdadeiro, completo, claro e certo.
O que está em cima é como o que está embaixo,
e o que está embaixo é como o que está em cima,
e por estas coisas fazem-se os milagres de uma coisa só¨.

Tudo o que está incluído no Universo emana de uma mesma fonte e está sujeito às mesmas leis, princípios e características que, aplicadas à cada unidade, nos mostram a manifestação dos fenômenos que existem em cada plano.

o Universo é dividido em três Grandes Planos de Manifestação:

1º - O Grande Plano Espiritual.
2º - O Grande Plano Mental.
3º - O Grande Plano Físico.

Para se manifestar na matéria, uma energia primordial primeiro precisa ser gerada no plano Espiritual, ser forjada no plano Mental e se materializar no plano Físico. Entre esses três Planos maiores, há mais sete outros sub-planos entre cada um.


III – O princípio de Vibração

“Nada está parado, tudo se move, tudo vibra”.

O TODO se manifesta através de vibração. O Espírito se manifesta através da vibração mais rápida e sutil e se propaga através do Éter.


IV – O princípio de Polaridade

“Tudo é duplo, tudo tem dois pólos; tudo tem seu oposto; o semelhante e o dessemelhante são uma só coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em graus; os extremos se tocam, todas as verdades são meias-verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados”

A diferença entre coisas que se parecem diametralmente opostas é simplesmente uma questão de graus de vibração.


V – O princípio de Ritmo

“Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação”

Um movimento num sentido terá um outro movimento proporcional no outro sentido.


VI – O princípio de Causa e Efeito

“Toda Causa tem seu Efeito; todo o Efeito tem sua Causa; todas as coisas acontecem de acordo com a Lei: o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida. Existem muitos planos de causalidade mas nenhum escapa à Lei”.

Grande verdade que torna possível a compreensão de todas as leis que regem o nosso Universo: ele explica que nada acontece por acaso, que não existe o “acaso”, e que “acaso” é simplesmente um termo dado a um fenômeno existente e do qual não conhecemos a origem e portanto não reconhecemos nele a Lei à qual se aplica.

Também implica no fato de sermos responsáveis por todos os nossos atos.


VII – O princípio de Gênero

¨O Gênero está em tudo: tudo tem seus princípios Masculino e Feminino; o gênero se manifesta em todos os planos da criação”.

Tudo o que é manifestado na natureza está sujeito ao gênero. Assim, o pólo negativo é identificado com o feminino e o positivo é identificado com o masculino. O primeiro atrai e o segundo repele.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Como eu posso ajudar?

Conversa fiada é dizer que não é preciso ajudar os outros para evoluir. Porém, sem lances legais refletidos na própria aura, quem é que poderá exigir novos recursos da Espiritualidade?
Quem não pensa no bem alheio, além do seu mesmo, é solitário por dentro. Sem créditos espirituais na praça, quem é que poderá botar banca?
Com o egoísmo bloqueando o coração, quem é que poderá exigir abertura espiritual?
Carregando trevas por dentro, é possível chegar à Luz?
A arrogância abre portas no Astral Superior?
O egoísmo é um bom amparador?
É possível caminhar no mundo sem as devidas lutas de progresso e paciência?
Dá para voar com as asas pesadas de medos e intolerâncias?
E as vinganças secretas? Aquelas coisinhas medíocres que cismam em aparecer por dentro, e que só trazem desgostos e climas ruins...


Quem pesquisa com amor e consciência, está ajudando muito.
Quem procura ser correto em sua vida, está ajudando também.
Quem é bem humorado, ajuda sorrindo.
Quem ativa os seus chacras, ajuda energeticamente.
Quem sai do corpo pré-disposto para a Luz, já está nela!
Quem reza a favor dos outros, é benfeitor encarnado.
Quem freqüenta algum lugar com uma egrégora, é felizardo.
Quem procura estudar e trabalhar espiritualmente, mesmo que nem saiba disso, já está ajudando com sua boa intenção de crescer e melhorar.
Quem escreve sobre temas positivos, é escrivão de Deus!
Quem exerce sua mediunidade com correção e consciência, é médium da Luz.
Quem é simples no modo de ser, é rico.
Quem faz a sua tarefa existencial direito, é esperto.
Quem ajuda sem esperar reconhecimento e ainda ri, é sábio.
E quem recolhe em silêncio a dor dos outros e as transforma em amor irradiante, é mestre!

Sem a assistência espiritual não se vai para a frente...
Sem abrir a mão e o coração, sem chance de progresso mesmo...
Sem abrir a mente para o conhecimento superior, nenhum portal se abrirá!
E a ajuda pode ser de muitos níveis, cada um de seu jeito:
- Emanando bons pensamentos no dia-a-dia;
- Emanando sentimentos benfeitores nas meditações e reuniões espirituais;
- Irradiando energias em algum nível de trabalho (sozinho ou em grupo, como for melhor);
- Procurando ver o lado bom das pessoas e das coisas;
- Lendo obras que elevem a consciência (isso faz com que a pessoa emane automaticamente formas-pensamento sadias, que muitas vezes beneficiam a todos em volta, até mesmo aqueles espíritos fominhas que rondam a aura das pessoas à cata de energias densas);
- Pesquisando temas espirituais elevados (desde que tal pesquisa tenha como objetivo não apenas o ego do pesquisador, mas a abertura de novos horizontes conscienciais, nem sempre revelados em nomenclaturas difíceis ou rebuscadas, mas na afinidade do esclarecimento correto e consciente – ou seja, DESPERTO E GENEROSO);
- Ou apenas pensando no bem da humanidade.

domingo, 15 de junho de 2008

"O poder do Agora"de Eckhart Tolle

Para muitas pessoas, a entrega talvez tenha conotações negativas, como uma desistência, certa letargia, etc. A verdadeira entrega, entretanto, é algo completamente diferente. Não significa suportar passivamente uma situação qualquer que nos aconteça e não fazer nada a respeito, nem deixar de fazer planos ou de ter confiança para começar algo novo. A entrega é a sabedoria simples mas profunda de nos submetermos e não de nos opormos ao fluxo da vida. O único lugar em que podemos sentir o fluxo da vida é no Agora. Isso significa que se entregar é aceitar o momento presente sem restrições e sem nenhuma reserva. É abandonar a resistência interior àquilo que é. A resistência interior acontece quando dizemos "não" para aquilo que é, através do nosso julgamento mental e de uma negatividade emocional. Isso se agrava especialmente quando as coisas "vão mal", o que significa que há um espaço entre as exigências ou expectativas rígidas da nossa mente a aquilo que é. Isso não quer dizer que não possamos fazer alguma coisa no campo exterior para mudar a situação. Na verdade, não é a situação completa que temos de aceitar quando falo de entrega, mas apenas o segmento minúsculo chamado o Agora.

Por exemplo: Você está andando por uma estrada à noite, com uma neblina cerrada, mas possui uma lanterna potente que corta a neblina e cria um espaço estreito e nítido na sua frente. A neblina é a sua situação de vida, que inclui o passado e o futuro. A lanterna é a sua presença consciente, e o espaço nítido é o Agora.

No estado de entrega, você vê claramente o que precisa ser feito e parte para a ação, fazendo uma coisa de cada vez e se concentrando em uma coisa de cada vez. Aprenda com a natureza. Veja como todas as coisas se realizam e como o milagre da vida se desenrola sem insatisfação ou infelicidade. É por isso que Jesus disse: "Olhai os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam".

Se a sua situação geral é insatisfatória ou desagradável, separe esse instante e entregue-se ao que é. Eis aqui a lanterna cortando através da neblina. O seu estado de consciência deixa então de ser controlado pelas condições externas. Você não age mais a partir de uma resistência ou de uma reação.

Olhe para uma situação específica e pergunte-se: "Existe alguma coisa que eu possa fazer para mudar essa situação, melhorá-la ou me retirar dela?" Se houver, você toma a atitude adequada. Não se prenda às mil coisas que você vai ter que fazer em algum tempo futuro, mas na única coisa que você pode fazer agora. Isso não significa que você não deva traçar um plano. Planejar talvez seja a única coisa que você possa fazer agora. Mas certifique-se de que você não vai começar a rodar "filmes mentais", se projetar no futuro e, assim, perder o Agora. Talvez a atitude que você tomar não dê frutos imediatamente. Até que ela dê, não resista ao que é.

Não se entregar endurece a casca do ego, e assim cria uma forte sensação de separação. O mundo e as pessoas à sua volta passam a ser vistos como ameaças. Surge uma compulsão inconsciente para destruir os outros através do julgamento e uma necessidade de competir e dominar. Até mesmo a natureza vira sua inimiga e o medo passa a governar a sua percepção e a interpretação das coisas. A doença mental conhecida como paranóia é apenas uma forma ligeiramente mais aguda desse estado normal, embora disfuncional, da consciência.

A resistência faz com que tanto a sua mente quanto o seu corpo fiquem mais "pesados". A tensão se manifesta em diferentes partes do corpo, que se contrai para se defender. O fluxo de energia vital, essencial para o funcionamento saudável do corpo, fica prejudicado.

A negatividade é completamente antinatural. É um poluente psíquico e existe um vínculo profundo entre o envenenamento e a destruição da natureza e a grande negatividade que vem sendo acumulada na psique coletiva humana. Nenhuma outra forma de vida no planeta conhece a negatividade, somente os seres humanos, assim como nenhuma outra forma de vida violenta e envenena a Terra que a sustenta. Você já viu uma flor infeliz ou um carvalho estressado? Já cruzou com um golfinho deprimido, um sapo com problemas de auto-estima, um gato que não consegue relaxar, ou um pássaro com ódio e ressentimento? Os únicos animais que eventualmente vivenciam alguma coisa semelhante à negatividade, ou mostram sinais de comportamento neurótico, são os que vivem em contato íntimo com os seres humanos e assim se ligam à mente humana e à insanidade deles.

Vivi com alguns mestres zen - todos eles gatos. Até mesmo os patos me ensinaram importantes lições espirituais. Observá-los é uma meditação. Como eles flutuam em paz, de bem com eles mesmos, totalmente presentes no Agora, dignos e perfeitos, tanto quanto uma criatura sem mente pode ser. Eventualmente, no entanto, dois patos vão se envolver em uma briga, algumas vezes sem nenhuma razão aparente ou porque um pato penetrou no espaço particular do outro. A briga geralmente dura só alguns segundos e então os patos se separam, nadam em direções opostas e batem suas asas com força, por algumas vezes. Então continuam a nadar em paz, como se a briga nunca tivesse acontecido. Quando observei isso pela primeira vez, percebi, num relance, que ao bater as asas eles estavam soltando a energia acumulada, evitando assim que ela ficasse aprisionada no corpo e se transformado em negatividade. Isso é sabedoria natural. É fácil para eles porque não têm uma mente para manter vivo o passado, sem necessidade, e então construir uma identidade em volta dele.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

No silêncio da alma estão nossos sonhos...

"Sonhos não morrem, apenas adormecem na alma da gente."

Chico Xavier

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Um oásis no recôndito da alma

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de
que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crises.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria
história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito
da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um não.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

Fernando Pessoa