sábado, 3 de junho de 2017

A velhice

Chega antes de você perceber
e de repente
é como se seu corpo
se cansasse de você
E começa então um processo
que se arrasta nos minutos
imperceptíveis
em que pensamos rejuvenescer
bate lento e profundo
o sentimento de querer reviver
ou recontar a própria história
Flocos de neve
flutuam numa mente extasiada
longe dos processos que
justificam outras vidas
uivamos loucos para a lua cheia
e acreditamos em poderes invisíveis
e oramos para seres imaginários
bate fundo o coração
adormecido e desleixado
livre da obrigação de amar e ser amado
Flutua floco de neve
nunca visto...


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Vítimas e agressores

Partilhamos o mesmo pão
E fazemos cortes de cabelo
Cantamos nossas músicas favoritas
Quem somos?
De repente o desperdício vira desespero
E fazemos vozes grossas de medo
Meço seu desacordo
Pela frequência de minha desobediência
Frente ao corriqueiro
desmaio em revoluções
Tic tac
Me assombra a vida
que insiste em me rodear
E eu desfalida
Sustento
Vampira a manhã
Lambe meu átimo
Me liquefaz
Como prosseguir?

Canto do inferno - um dia de três anos

Acordar as seis horas da tarde suja
desistente da vida mas viva
Ao redor desenhos dantescos de uma realidade
Pouca coisa restou de mim que valha a pena lembrar sem dor
De olhos abertos olho para o chão
A mão raspa ansiosa pela poeira
o lixo dos dias
Desesperada a inteligencia sobre via planos mirabolantes
Caia por terra o último da essência de minha divindade
Corrompida por correntes malignas
Linguas serpenteavam minhas ações
Asas murchas e rasgadas revestiam minhas vestes
E feito pedra em forma de demonio eu habitava em cemitérios
Lagrimas caminhavam e rasgavam minha face
E hoje neste arido horizonte frente ao espelho
Rios secos refazem estradas rastejadas
Longe da lembrança rostos doces
Recontavam os minutos das batalhas perdidas
Tic tac
Ressoa a alma perdida na escuridão
Encolhida pelo medo e repleta de solidão
Tic tac
Um vento ousado respirou em meu coração

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Fácil e Difícil Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião... Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer. Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias... Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros. Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir... Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso. Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a mesma... Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado... Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece. Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã... Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e as vezes impetuosas, a cada dia que passa. Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar... Difícil é mentir para o nosso coração. Fácil é ver o que queremos enxergar... Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Fácil é ditar regras e, Difícil é segui-las... Carlos Drummond de Andrade

sábado, 18 de junho de 2011


‎"Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril"
Fernando Pessoa

sábado, 16 de janeiro de 2010


Não sei...

Se a vida é curta ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas..
Muitas vezes basta ser: Colo que acolhe, Braço que envolve, Palavra que conforta,
Silêncio que respeita, Alegria que contagia, Lágrima que corre, Olhar que acaricia,
Desejo que sacia, Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela, Não seja nem curta, Nem longa demais, Mas que seja intensa, Verdadeira, pura... Enquanto durar.

(Cora Coralina)