Penas de pavão rodopiam
à minha frente
vertiginosa imagem
conclamam superiores espíritos
Benevolentes anciões
passeiam sobre folhas secas
para alojar o destino humano
Despenco em memórias
revivendo nos mínimos detalhes
as flores fora da estação
E penso, maravilhada
que tudo então é possível
quinta-feira, 8 de junho de 2017
sábado, 3 de junho de 2017
A velhice
Chega antes de você perceber
e de repente
é como se seu corpo
se cansasse de você
E começa então um processo
que se arrasta nos minutos
imperceptíveis
em que pensamos rejuvenescer
bate lento e profundo
o sentimento de querer reviver
ou recontar a própria história
Flocos de neve
flutuam numa mente extasiada
longe dos processos que
justificam outras vidas
uivamos loucos para a lua cheia
e acreditamos em poderes invisíveis
e oramos para seres imaginários
bate fundo o coração
adormecido e desleixado
livre da obrigação de amar e ser amado
Flutua floco de neve
nunca visto...
e de repente
é como se seu corpo
se cansasse de você
E começa então um processo
que se arrasta nos minutos
imperceptíveis
em que pensamos rejuvenescer
bate lento e profundo
o sentimento de querer reviver
ou recontar a própria história
Flocos de neve
flutuam numa mente extasiada
longe dos processos que
justificam outras vidas
uivamos loucos para a lua cheia
e acreditamos em poderes invisíveis
e oramos para seres imaginários
bate fundo o coração
adormecido e desleixado
livre da obrigação de amar e ser amado
Flutua floco de neve
nunca visto...
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Vítimas e agressores
Partilhamos o mesmo pão
E fazemos cortes de cabelo
Cantamos nossas músicas favoritas
Quem somos?
De repente o desperdício vira desespero
E fazemos vozes grossas de medo
Meço seu desacordo
Pela frequência de minha desobediência
Frente ao corriqueiro
desmaio em revoluções
Tic tac
Me assombra a vida
que insiste em me rodear
E eu desfalida
Sustento
Vampira a manhã
Lambe meu átimo
Me liquefaz
Como prosseguir?
E fazemos cortes de cabelo
Cantamos nossas músicas favoritas
Quem somos?
De repente o desperdício vira desespero
E fazemos vozes grossas de medo
Meço seu desacordo
Pela frequência de minha desobediência
Frente ao corriqueiro
desmaio em revoluções
Tic tac
Me assombra a vida
que insiste em me rodear
E eu desfalida
Sustento
Vampira a manhã
Lambe meu átimo
Me liquefaz
Como prosseguir?
Canto do inferno - um dia de três anos
Acordar as seis horas da tarde suja
desistente da vida mas viva
Ao redor desenhos dantescos de uma realidade
Pouca coisa restou de mim que valha a pena lembrar sem dor
De olhos abertos olho para o chão
A mão raspa ansiosa pela poeira
o lixo dos dias
Desesperada a inteligencia sobre via planos mirabolantes
Caia por terra o último da essência de minha divindade
Corrompida por correntes malignas
Linguas serpenteavam minhas ações
Asas murchas e rasgadas revestiam minhas vestes
E feito pedra em forma de demonio eu habitava em cemitérios
Lagrimas caminhavam e rasgavam minha face
E hoje neste arido horizonte frente ao espelho
Rios secos refazem estradas rastejadas
Longe da lembrança rostos doces
Recontavam os minutos das batalhas perdidas
Tic tac
Ressoa a alma perdida na escuridão
Encolhida pelo medo e repleta de solidão
Tic tac
Um vento ousado respirou em meu coração
desistente da vida mas viva
Ao redor desenhos dantescos de uma realidade
Pouca coisa restou de mim que valha a pena lembrar sem dor
De olhos abertos olho para o chão
A mão raspa ansiosa pela poeira
o lixo dos dias
Desesperada a inteligencia sobre via planos mirabolantes
Caia por terra o último da essência de minha divindade
Corrompida por correntes malignas
Linguas serpenteavam minhas ações
Asas murchas e rasgadas revestiam minhas vestes
E feito pedra em forma de demonio eu habitava em cemitérios
Lagrimas caminhavam e rasgavam minha face
E hoje neste arido horizonte frente ao espelho
Rios secos refazem estradas rastejadas
Longe da lembrança rostos doces
Recontavam os minutos das batalhas perdidas
Tic tac
Ressoa a alma perdida na escuridão
Encolhida pelo medo e repleta de solidão
Tic tac
Um vento ousado respirou em meu coração
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Fácil e Difícil
Falar é completamente fácil,
quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião...
Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias...
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros.
Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir...
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a mesma...
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado...
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece.
Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã...
Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas
e as vezes impetuosas, a cada dia que passa.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar...
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar...
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Fácil é ditar regras e,
Difícil é segui-las...
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 18 de junho de 2011

"Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril"
Fernando Pessoa
quarta-feira, 26 de maio de 2010
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