A vassoura Marjorie
Marjorie, a vassoura, nasceu em 23 de dezembro de um ano qualquer. Fruto das mãos ágeis de um marceneiro falido e feita de partes alheias. Marjorie era completa.
Seus primeiros dias de vida, no depósito entre iguais e muitos outros diferentes, foi divertido. Ouvia atenta, falas em línguas de partes distantes.
Mas foi um dia desses, em que estamos distraídos, que a vida de Marjorie mudou. Acostumada aos elogios e galanteios, afinal fazia juz! Era alta e reta e sua palha, de raro tom dourado, tão bem atados, davam-lhe com certeza, ares de princesa.
Muito diferente das comuns piaçavas, seu destino era estar nos palácios, segura em mãos que cumprem anos, corredores e aposentos, largos e caprichosos. E certamente dormindo quentinha, em abastados armários.
Mas, contam as escovas, entristecidas, que pobre Marjorie! Esquecida e encostada, foi vista sem ânimo nos sonhos. Fez-se em fim, no dia 7 de maio, poucos anos depois, em brasas.






