quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

A ferrugem e o esquecimento



Constrangido, o parafuso suspirou para o alicate. Algo ali não se encaixava como deveria. Girando sobre si mesmo, desviou o olhar, buscando uma compensação.  Entre dentes afiados e sem saída, o alicate buscou nas ferramentas, algo que compensasse sua inexatidão. 

E viu pregos, parentes distantes, olharem curiosos para sua reflexão. Que sentido teria querer ser o que não era, somente para se ajustar àquela situação. Pensou em diferentes momentos em que, perfeito para a ocasião, só e somente ele, deu cabo de muitas situações. 

Mas queria mesmo, contornar seu amigo parafuso e retirá-lo da parede, já sem uso por tanto tempo... e trazê-lo de volta à caixa de nascimento, junto aos semelhantes em utilidade. Olhou para o criador e se esforçou para novamente ser brilhante. E segurando firme em um pequeno traço de aço, forçou a passagem pela anelada cabeça do amigo. 

Rangindo em farpas dentadas, corroeu a poeira do esquecimento e mesmo que, esfarelando a parede que caía em pó ao chão, trouxe firme o parafuso já enferrujado para fora de prisão caiada. Mas qual surpresa não foi perceber que, já sem uso e utilidade, viu o companheiro ser atirado ao lixo imóvel para novamente ser esquecido.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Sorvete na praia

As boas recordações da infância permitem que nossas almas, cansadas na maturidade, fechem os olhos e sintam o cheiro gostoso da comida de domingo, da roupa nova, dos presentes de Natal.

Claro, ficam em nossos corações como lembranças preciosas de tempos passados. Mesmo que para muitos, poucos sejam os momentos, sempre sobra um abraço, uma bala, uma vitrine iluminada, um pequeno desejo satisfeito.
É assim que, algumas vezes me pego em devaneios quentes das manhãs de verão na praia, entre baldes e conchas, fugindo ou enfrentando ondas, construindo castelos de areia.
- Ei! gritou o meu irmão e logo a bola me atingiu em cheio nas costas. Virei enfurecida, já pronta para derramar lágrimas de vingança e ódio quando me deparei com seu sorriso amplo e fácil, iluminando seu rosto, me chamando para a brincadeira.
Rápida, atirei meu baldinho cheio de água do mar que encheria o fosso do palácio real e saí em disparada atrás do meu irmão:
- Seu monstro! disse aos berros, correndo entre pulinhos como um coelho assustado enquanto meu irmão, com olhos brilhantes de caçador, se desvencilhada de mim, acrobático.
- Sua boba! Você não me pega! E correndo em direção ao meu precioso castelo, como um ogro amaldiçoado por bruxas de narizes com verrugas enormes, em um único salto, desfez meus sonhos, reduzindo meu árduo trabalho ao que era antes... somente areia.
Parei de imediato. Meu pequeno coração batia forte. Antes surpreso com a brincadeira e por que não dizer, feliz até. Mas ver meu preciso esforço, minha melhor obra aquele dia, meu palácio intuído como maravilha da arquitetura gótica-medieval, ah! Aquilo gelou-me em desaforo.
Cerrei os olhos conjurando aos céus por uma revanche. Em silêncio, sentei-me constrangida com o mundo e olhei para minhas mãos. Esperei por consolação divina. Nada aconteceu. Jurei vingança!
Minha mãe solidária pôs um fim ao conflito e nos chamou para tomarmos um delicioso sorvete. Isso ajudou e muito para que, meu humor aos poucos, se refrescasse. Com meus ânimos já revigorados, vi meu irmão lamber seu gelado com visível prazer. Tanto encanto serviu para que distraído, não visse a pedra no caminho.


Seu tombo foi mesmo engraçado! Tentando salvar seu sorvete, desabou no chão sem amparo ou resistência. Desengonçado, viu seu sorvete desmanchar-se sem sobras na areia quente, ávida pela água doce e perfumada que escorria desprotegida.
Juro. Entre a raiva e a visão do desconsolo de meu irmão, sobreviveu o arrependimento da maldição enviada. Criança acha mesmo que é responsável por tudo! Vi meu irmão chateado e Infeliz e isso doeu-me. Mais que ver meu castelo destruído, que rapidamente foi refeito.
Ali no chão, jazia uma reputação acrobática dos que nunca caem, não erram milímetros calculados com precisão geométrica. Vi meu irmão envergonhado com seu desajeito e perda. Não do sorvete, mas da ideia que lhe ensinaram, de que jamais poderia cair...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

A torre camuflada


 Eu penso com a alma e sinto com meu coração. Isso significa que a intuição sobre coisas e pessoas, ressoa dentro de mim como uma nota vibrando em uma composição. Vê-la separada da música, muitas vezes torna-a incompreensível. Mas quando ouvimos a totalidade, percebemos, sentido, significado. 

 Assim vivi meus dias aqui na terra. Muitos deles perdida em meio ao caos dos acontecimentos, das pessoas que, irrefletidas, não espelhavam seus verdadeiros sentimentos. Aprendi com o tempo a olhar com os olhos sem julgamento. A ver as buscas alheias como anseios e devaneios. Muitos, muitos mesmos, repetem suas condições. Inexatas. 

 Eu também andei em círculos. E causei consequências previstas em tempos distantes. Foram somente elos que se moviam pela mesma corrente chamada de destino. Não, não foi fácil percebê-la e heroicamente, não mais suportar o peso da pedra. E deixá-la lá, montanha abaixo e seguir livre das amarras das minhas escolhas. Perdoei-me.
 
 Num gesto magnânimo, busquei o equilíbrio dos argonautas em suas desventuras e pasmem, sobrevivi a mim mesma, às minhas toscas decisões. E em um dia de chuva, meu coração percebeu a luz que ainda assim, me permitiu vislumbrar cenas mais simples, amores mais puros, canções mais singelas. 

 E amanheci com a sensação de ser possível, tudo e qualquer coisa. Entrelinhas escritas e revistas pelas lembranças de infância. Chegada à maturidade, perceber na alma o grito silencioso da sabedoria buscada em sonhos, em delírios e devaneios, a maioria deles, aparentemente, sem sentido. 

 E que mais poderia eu, distante dos traumas que alicerçaram uma existência, acreditar com a inocência dos culpados, das vítimas autoimpostas por cruéis julgamentos, ter enfim, alcançado a absolvição dos meus pecados, a remissão na misericórdia da criação. Implacável, nem deixa sem volta toda ida, nem se cala diante das injustiças. 

 Melhor seria então, cumprir a pena dos desvalidos em silêncio presos em torres camufladas em florestas distantes. E ali, no vazio da solidão dos que contemplam a si mesmos, apreender a justa troca de posição: ora servo ora senhor, ora vítima ora algoz. E por fim desfalecidos, pedir à clemência divina, um clamor, um suspiro, que traga alento à dor dos enforcados e ainda vivos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A luz entre as coisas


Vou contar uma história para vocês. A história de Entiel. Entiel foi um desses seres incomuns, sabe, desses que pouca gente conhece, mas que, quando conhece, aprecia sua honestidade e principalmente, a boa vontade.
Entiel viveu perto do mar. Ele gostava da brisa fresca que soprava do mar em dias de primavera e temia as tempestades iluminadas por raios nas tardes de verão. Mas principalmente, Entiel sonhava com lugares distantes, viajando por naves aquáticas e aéreas da sua imaginação. Ali, senhor dos mares e dos ares, se sentia magnânimo. Completo. Decente.
Certa feita, menino de tudo, viu chegar à areia, pedaços toscos de madeira partida. Com esmero, apertou, amarrou, prendeu e se lançou ao mar, feito marujo experiente em busca de um tesouro. As ondas, estas selvagens amigas dos ventos, invariavelmente o traziam de volta a praia. E ao anoitecer, já cansado de remar e de sonhar, atracou sua brava nau que, presa à areia, sucumbiu à noite em descanso.


Também Entiel foi descansar, mas exausto, recostou a cabeça em seu sonho e dormiu. E ali, naquele manto escuro e misterioso, ele venceu as ondas e submergiu em um mundo desconhecido. Onde homens sem coragem não ousam entrar, e onde meninos curiosos assombram com olhos brilhantes, obscuros troncos esburacados pela passagem dos anos.
Entiel ergueu a vista aos céus e viu, de relance, o senhor do lugar. Ora enrugado em tramas antigas, ora reluzente na jovialidade do dia que nasce, ele teve consciência da sua presença. Da presença de todos. E de tudo. Surpreso, tomada pela inexperiência da juventude, teve medo e correu. Foi a primeira vez que Entiel viu o tempo.
Outra feita, já em idade mais adiantada e mesmo assim, sem conseguir inibir seus sonhos, subiu no cajueiro, velho habitante da vizinhança e sem perceber ao certo como, se lançou ao ar como os pássaros empurrados por suas mães para aprenderem a voar. E ali, naquele breve momento em que flutuou vencendo a gravidade da situação, novamente apurou sua percepção e aprendeu sobre o espaço que vibra em uníssono entre nós.
E viu as folhas, surgirem e caírem em ritmos distintos acompanhando prestimosas, os desígnios dos céus. Sem contestar, sem ao menos lamentar o pouco que tinham, mas exultantes, respirarem aliviadas pelo dever cumprido em sigilo, reverenciando o guardião da vontade divina.
Viu também a seiva viva, alimento brilhante que percorria longas vias da vida pulsante em pequenos auréolas de luz. Viu o ritmo alucinante que desdém da perplexidade daqueles que ousam percebê-lo, mesmo que distraídos de si e do fim. Viu o alimento da alma, que se sobrepõe ao egoísmo humano, ao amor da criação pela criatura criada.
Viu pares se tornarem solitários e distintos. Viu as presas se tornarem algozes e viu as vítimas serem os caçadores e então, se questionou sobre a qualidade da realidade observada. E percebeu que nada estava além de si mesmo ou do que cria ser possível. E viu mil olhos, ora chorosos, ora distantes e vazios, observarem a sua queda, indiferentes.
E muito tempo depois, Entiel já distante da mocidade, cavou na areia da praia. E cavou bem fundo para ali caberem seus sonhos. Sua nau e seu cajueiro. E também suas aventuras e, em desespero, pediu ao senhor da vida, que a experiência vivada nas ondas, nas folhas, na seiva, não fossem perdidas na escuridão da partida.
Suplicou misericórdia pela concórdia da sua existência na linha do tempo e pediu que não desaparecesse por completo da memória do mundo. E restasse dele, uma história, uma brisa, um raio, um voar desperto de alguém que ousou, em diferentes momentos, se distanciar de todos, somente para acrescentar alguns poucos tons, a mais uma aurora.

Vida em comunidade

 

Bem, quem nunca? Teve que dividir espaços comuns com pessoas nem tão comuns assim, não é mesmo!? Estranhos que sinalizam por semelhanças inexistentes...
Foi assim, um dia, no elevador. Sabe, onde moro ainda fazem a distinção entre social e serviço. Particularmente, sou muito mais serviço. Tô sempre ocupada mesmo. E ainda acredito que lazer é uma ocupação, algo que preenche uma condição necessária à sobrevivência e portanto, um serviço a minha saúde.
Mas vamos ao que interessa. Domingão e lá vou eu com Diana, minha adorada companheira canina, para um longo passeio. Aperto o botão do elevador e eis que, depois de uma longa espera...chega o tal elevador social. Juro, nem pensei e entrei rapidamente antes que me esquecessem no andar.
Eu, politicamente incorreta em meu traje mais para mendigo chique que para dondoca dos jardins, eis que enfrento o olhar congelante da Dona P. B. (Vou omitir nomes para preservar a vergonha alheia).
- Este elevador não é para cães, disse ela enquanto uma brisa glacial invadia o pequeno espaço entre nós.
Me fiz de morta enquanto ajustava o som em meus fones de ouvido. Ela repetiu a frase agora adivinhada pela leitura labial.
- Bom dia!, respondi, como quem se recusa a participar daquela realidade. E que elevador mais lento! Ele sempre demorava tanto assim?
Olhei para P. B.. O rosto expressava duras críticas ao meu comportamento, que feria seu código de ética de maneira cruel e insensível. Tive dó. Ela segurou meu braço. Diana rosnou e depois latiu. Ela gritou. Diana avançou e o caos se fez de maneira irreversível.
Lutei com meus sentimentos, porque soube me solidarizar com a surpresa do ataque, mas também compreendi a atitude defensiva de minha companheira. Rapidamente repreendi Diana que, recuou de olhos grudados na opressora. Achei mesmo que P. B. arrancaria seus adereços esteticamente partilhados em consumos midiáticos e os atiraria em minha cara. Ah! se pudesse teria feito. De raiva. Pura indignação contra a natureza vulgar do autêntico. Do simples e comum.
As ameaças percorreram o vazio vertical, até finalmente virarem insultos em publico, quando o pequeno elevador chegou ao térreo. Agora, diante de plateia, a cena trágica tomou enredo de novela. Aos brados, entre cuspes, afirmou que minha transgressão não passaria desapercebida. Pelos condôminos e pelo mundo também! Certamente eu seria execrada em público e castigada com pesadas multas.
Seria então condenada ao repúdio social. Eliminada das rodas alegres e confraternizantes que comentavam a vida alheia, entre sorrisos cínicos de pretensa superioridade. E ali, banida das trincheiras do pensamento dominante, seria considerada fora das convenções reinantes, foragida das regras criadas por uns, para apreensão de todos. Alguém mesmo perguntou, o que eu achava da situação?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

 Vida de rei



Averaldo era só preguiça. Tarde da noite, deitava na cama e sonhava com dias distantes. E acordava assim...longe de qualquer lugar.


  • Acorda Averaldo, você não vai trabalhar?


Mas pensar assim, não dava. Construídos os castelos mentais, pouco sobrava para a realidade. 

  • Mas acabei de chegar do trabalho!


Longe disso, sua mãe balançava a cabeça. Preocupada. 

  • Como assim Averaldo? Tá dormindo ainda?


Que realidade era aquela, cuja crueldade doía nos olhos.  A barriga vazia, a roupa amassada, o chão batido.

  • Deixa mãe, hoje tô cansado de viver. 


Deitado, olhos fechados, lembrou da vida que tinha lá do outro lado e gemeu baixinho. Uma imagem rapidamente se refez como lembrança vivida. Sentado à longa mesa, repleta de caprichosos regalos, contemplou seu enorme reino e seus participantes.


  • Que é isso Averaldo? Acorda meu rei!






sexta-feira, 8 de abril de 2022


 Qual é o grilo?







Anoitece.

Um grilo em código Morse fala comigo.

Criiiii... Criii... Criiiii...

No lento e sincopado script, 

espero no compasso sem passo

das minhas incertezas.

E são muitas.

Vasculho desiludida a vida.

Sintomas e abstinências de ser incompleta.


O sustenido da conversa revela, 

o desejo de ser quiçá o desejado.

E entre dentes, despertar vontades não exercidas.

E entre carnes, murmurar a vontade de uma existência

que se esvai em prantos e partes.

Nada e não mais importa entre flores.

Murchos nossos sonhos

resta a desconfiança dos insensatos que partem.


Sonho. Como os grilos.

Em noites melhores.

E penso ruminando incoerências:

Quem é o pecador? 

Aquele que tenta ou aquele que é tentado? 

Quem o desejo aflora ou quem o desejo foi um dia contido?

Quem trará para si a maldição do sonho vivido?

E sofrerá a pena dos condenados pelos deuses, pela

eternidade.




 A vassoura Marjorie 


Marjorie,  a vassoura,  nasceu em 23 de dezembro de um ano qualquer. Fruto das mãos ágeis de um marceneiro falido e feita de partes alheias. Marjorie era completa.


Seus primeiros dias de vida, no depósito entre iguais e muitos outros diferentes, foi divertido.  Ouvia atenta, falas em línguas de partes distantes.


Mas foi um dia desses, em que estamos distraídos,  que a vida de Marjorie mudou. Acostumada aos elogios e galanteios, afinal fazia juz! Era alta e reta e sua palha, de raro tom dourado, tão bem atados, davam-lhe com certeza, ares de princesa. 


Muito diferente das comuns piaçavas, seu destino era estar nos palácios, segura em mãos que cumprem anos, corredores e aposentos, largos e caprichosos. E certamente dormindo quentinha, em abastados armários. 


Mas, contam as escovas, entristecidas, que pobre Marjorie! Esquecida  e encostada, foi vista sem ânimo nos sonhos. Fez-se em fim, no dia 7 de maio, poucos anos depois, em brasas.


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Penas de pavão

Penas de pavão rodopiam
à minha frente
vertiginosa imagem
conclamam superiores espíritos

Benevolentes anciões
passeiam sobre folhas secas
para alojar o destino humano

Despenco em memórias
revivendo nos mínimos detalhes
as flores fora da estação

E penso, maravilhada
que tudo então é possível



sábado, 3 de junho de 2017

A velhice

Chega antes de você perceber
e de repente
é como se seu corpo
se cansasse de você
E começa então um processo
que se arrasta nos minutos
imperceptíveis
em que pensamos rejuvenescer
bate lento e profundo
o sentimento de querer reviver
ou recontar a própria história
Flocos de neve
flutuam numa mente extasiada
longe dos processos que
justificam outras vidas
uivamos loucos para a lua cheia
e acreditamos em poderes invisíveis
e oramos para seres imaginários
bate fundo o coração
adormecido e desleixado
livre da obrigação de amar e ser amado
Flutua floco de neve
nunca visto...


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Vítimas e agressores

Partilhamos o mesmo pão
E fazemos cortes de cabelo
Cantamos nossas músicas favoritas
Quem somos?
De repente o desperdício vira desespero
E fazemos vozes grossas de medo
Meço seu desacordo
Pela frequência de minha desobediência
Frente ao corriqueiro
desmaio em revoluções
Tic tac
Me assombra a vida
que insiste em me rodear
E eu desfalida
Sustento
Vampira a manhã
Lambe meu átimo
Me liquefaz
Como prosseguir?

Canto do inferno - um dia de três anos

Acordar as seis horas da tarde suja
desistente da vida mas viva
Ao redor desenhos dantescos de uma realidade
Pouca coisa restou de mim que valha a pena lembrar sem dor
De olhos abertos olho para o chão
A mão raspa ansiosa pela poeira
o lixo dos dias
Desesperada a inteligencia sobre via planos mirabolantes
Caia por terra o último da essência de minha divindade
Corrompida por correntes malignas
Linguas serpenteavam minhas ações
Asas murchas e rasgadas revestiam minhas vestes
E feito pedra em forma de demonio eu habitava em cemitérios
Lagrimas caminhavam e rasgavam minha face
E hoje neste arido horizonte frente ao espelho
Rios secos refazem estradas rastejadas
Longe da lembrança rostos doces
Recontavam os minutos das batalhas perdidas
Tic tac
Ressoa a alma perdida na escuridão
Encolhida pelo medo e repleta de solidão
Tic tac
Um vento ousado respirou em meu coração

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Fácil e Difícil Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião... Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer. Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias... Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros. Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir... Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso. Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a mesma... Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado... Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece. Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã... Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e as vezes impetuosas, a cada dia que passa. Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar... Difícil é mentir para o nosso coração. Fácil é ver o que queremos enxergar... Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Fácil é ditar regras e, Difícil é segui-las... Carlos Drummond de Andrade

sábado, 18 de junho de 2011


‎"Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril"
Fernando Pessoa

sábado, 16 de janeiro de 2010


Não sei...

Se a vida é curta ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas..
Muitas vezes basta ser: Colo que acolhe, Braço que envolve, Palavra que conforta,
Silêncio que respeita, Alegria que contagia, Lágrima que corre, Olhar que acaricia,
Desejo que sacia, Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela, Não seja nem curta, Nem longa demais, Mas que seja intensa, Verdadeira, pura... Enquanto durar.

(Cora Coralina)

sábado, 30 de maio de 2009

para tornar a vida mais fácil


· Dê mais às pessoas, MAIS do que elas esperam, e faça com alegria.
· Decore seu poema favorito.
· Não acredite em tudo que você ouve, gaste tudo o que você tem e durma tanto quanto você queira.
· Quando disser "Eu te amo" olhe as pessoas nos olhos.
· Fique noivo pelo menos seis meses antes de se casar.
· Acredite em amor à primeira vista.
· Nunca ria dos sonhos de outras pessoas.
· Ame profundamente e com paixão.
· Você pode se machucar, mas é a única forma de viver a vida completamente.
· Em desentendimento, brigue de forma justa, não use palavrões.
· Não julgue as pessoas pelo seus parentes.
· Fale devagar mas pense com rapidez.
· Quando alguém perguntar algo que você não quer responder, sorria e pergunte: "Porque você quer saber?".
· Lembre-se que grandes amores e grandes conquistas envolvem riscos.
· Ligue para sua mãe.
· Diga "saúde" quando alguém espirrar.
· Quando você se deu conta que cometeu um erro, tome as atitudes necessárias.
· Quando você perder, não perca a lição.
· Lembre-se dos três Rs: Respeito por si próprio, respeito ao próximo e responsabilidade pelas ações.
· Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade.
· Sorria ao atender o telefone, a pessoa que estiver chamando ouvirá isso em sua voz.
· Case com alguém que você goste de conversar. Ao envelhecerem suas aptidões de conversação serão tão importantes quanto qualquer outra.
· Passe mais tempo sozinho.
· Abra seus braços para as mudanças, mas não abra mão de seus valores.
· Lembre-se de que o silêncio, às vezes, é a melhor resposta.
· Leia mais livros e assista menos TV.
· Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e olhar para trás, você poderá aproveitá-la mais uma vez.
· Confie em Deus, mas tranque o carro.
· Uma atmosfera de amor em sua casa é muito importante. Faça tudo que puder para criar um lar tranquilo e com harmonia.
· Em desentendimento com entes queridos, enfoque a situação atual.
· Não fale do passado.
· Leia o que está nas entrelinhas.
· Reparta o seu conhecimento. É uma forma de alcançar a imortalidade.
· Seja gentil com o planeta.
· Reze. Há um poder incomensurável nisso.
· Nunca interrompa enquanto estiver sendo elogiado.
· Cuide da sua própria vida.
· Não confie em alguém que não fecha os olhos enquanto beija.
· Uma vez por ano, vá a algum lugar onde nunca esteve antes.
· Se você ganhar muito dinheiro, coloque-o a serviço de ajudar os outros, enquanto você for vivo. Esta é a maior satisfação de riqueza.
· Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele em que o amor de um pelo outro é maior do que a necessidade de um pelo outro.
· Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve que renunciar para conseguir.
· Lembre-se de que seu caráter é seu destino.
· Usufrua o amor e a culinária com abandono total.
Dalai Lama

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ensinamento Autorizado


...

Deste mesmo modo nós existimos neste mundo, como peixes.
O adversário nos espia, esperando sorrateiramente por nós como um pescador, desejando capturar-nos, se alegrando que ele possa nos engolir.
Pois ele coloca muitas comidas diante dos nossos olhos (coisas) que pertencem a este mundo.
Ele deseja fazer com que nós queiramos uma delas e provemos só um pouco, para que ele possa nos capturar com seu veneno escondido e levar-nos para fora da liberdade e para dentro da escravidão.
Pois quando quer que ele nos pegue com uma única comida, é de fato necessário que desejemos o resto.
Finalmente, então, tais coisas se tornam a comida da morte.

Agora estas são as comidas com as quais o demônio tenta nos emboscar.
Primeiro ele injeta uma dor no seu coração até que você tenha angústia por uma coisa pequena desta vida, e ele te captura com os venenos dele.
E em seguida ele injeta o desejo por uma túnica, para que você se vanglorie dentro dela, e amor por dinheiro, orgulho, vaidade, inveja que rivaliza outra inveja, beleza do corpo, fraudulência.
As maiores de todas elas são ignorância e despreocupação.

Agora todas estas coisas o adversário prepara graciosamente e espalha diante do corpo, desejando fazer a mente da alma incliná-la para uma delas e oprimí-la, como um anzol, atraindo ela pela força para a ignorância, enganando ela até que ela conceba o mal, e gere fruto da matéria, e conduza a si mesma na impureza, procurando muitos desejos, cobiça, enquanto desejos carnais a atraem para a ignorância.

Mas a alma - ela que provou destas coisas - percebeu que as paixões doces são transitórias.
Ela aprendeu sobre o mal; ela abandonou eles e entrou numa nova conduta. Subsequentemente ela despreza esta vida, porque é transitória.
E ela procura pelas comidas que lhe trarão para a vida, e deixa para trás de si aquelas comidas enganosas.
E ela aprende sobre a luz dela, ao que ela vai se despindo deste mundo, enquanto a vestimenta verdadeira dela veste-a por dentro, (e) a roupa nupcial dela é colocada sobre ela em beleza da mente, não em orgulho da carne.
E ela aprende sobre a profundidade dela e corre para dentro de seu envoltório, enquanto o pastor dela espera na porta.
Em recompensa por toda a vergonha e escárnio, então, que ela recebeu neste mundo, ela recebe dez mil vezes em graça e glória.

...
apócrifos - Nag Hammadi

quarta-feira, 18 de março de 2009

Hoje eu agradeço


Agradeço

Por estar aqui hoje
depois de tão longo caminhar...

Agradeço você estar aqui
hoje comigo
depois desta tão árdua jornada

agradeço
os momentos em que meu coração
num instante mágico
pode sentir o seu coração
batendo
tão perto do meu

agradeço
ver a vida vivendo por mim
em mim
transferindo para o futuro
o desejo da imortalidade

agradeço
o quente
o frio
o doce e
o amargo
por darem tanta sabedoria
a minha alma

agradeço
o fiar longo
dos anos que vivi
tecendo minha rica rede
de evolução

agradeço
seu pequeno gesto
seu mínimo pensamento
sua ínfima alegria
detalhes
na construção
das relações divinas

Agradeço....

Graziela Mambretti

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

NADA COMO O TEMPO

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.

Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o "alguém" da sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.

O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

desconhecido